Pedestres correm mais riscos em 25 vias

Boa parte dos atropelamentos atendidos pelo Corpo de Bombeiros na capital em 2009 ocorreu em ruas e avenidas que já haviam registrados problemas no ano anterior

Vinte e cinco ruas e avenidas paulistanas concentram 12% dos atropelamentos de São Paulo. Juntas, no ano passado, elas somaram 1.253 das 10.105 ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros, segundo balanço obtido pelo JT. Além disso, todas as vias dessa lista se mantiveram entre as mais perigosas para o pedestre pelo segundo ano consecutivo.

As cinco piores entre elas são: avenidas Sapopemba, do Estado, Senador Teotônio Vilela, Marechal Tito e Estrada do M’Boi Mirim. O perfil dessas vias se encaixa nas características consideradas por especialistas propícias para esse tipo de acidente: estreita e com grande fluxo de pessoas, carros e ônibus (leia mais na pág. 4).

Procurada, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que não comentaria os dados dos bombeiros por desconhecê-los. Acrescentou, ainda, que tem a meta de reduzir o número de atropelamentos até 2012 e que as mortes vêm diminuindo sucessivamente ano a ano.

No saldo geral, segundo os bombeiros, houve 623 atropelamentos a menos no ano passado em comparação a 2008. A queda foi puxada pelas ocorrências com carros, cuja soma caiu de 8.854 para 8.042. Outros veículos, entretanto, atropelaram mais. Motos se envolveram em 1.405 casos - 132 a mais ante 2008. Já o índice de acidentes com ônibus cresceu de 350 para 386.

Com menos atropelamentos, menos pedestres foram vitimados. Em 2009, machucaram-se levemente 7.691 pessoas. Outras 193 morreram. Em 2008, houve 8.604 feridos e 263 mortos. Porém este último número pode ser maior, uma vez que o balanço do Corpo de Bombeiros não inclui as vítimas que morrem a caminho ou no hospital. Esse dado é apurado e divulgado pela CET.

Apesar de uma redução de 26 casos em relação a 2008, a Avenida Sapopemba, permaneceu no topo do ranking do ano passado: 110 casos (leia mais abaixo). Desses, 89 foram provocados por carros, 15 por motocicleta, 4 por ônibus e 2 por caminhões.

Na zona sul, o pedestre corre mais risco ao circular pela Avenida Senador Teotônio Vilela, que corta os bairros Cidade Dutra e Interlagos. No ano passado, foram 85 atropelamentos, sendo 63 por carros, 18 por motos e 4 por ônibus. Em 2008, o total de ocorrências chegou a 82.

A Avenida Deputado Cantídio Sampaio, na Brasilândia, respondeu pela maior fatia de atropelamentos na zona norte. Lá, 53 pedestres foram atingidos por veículos no ano passado. Em 2008, com 50 casos, a via ocupava a segunda posição, atrás da Avenida Cruzeiro do Sul, que reduziu de 54 para 43.

Na região central, a Avenida do Estado, um dos principais corredores paulistanos, acumulou 96 ocorrências, 2 a mais em comparação a 2008. A Paulista, que teve recentemente suas faixas de pedestres afastadas dos cruzamentos para evitar acidentes, medida considerada ideal por especialistas, apresentou redução de 20 atropelamentos.

Na zona oeste, região com menor incidência de atropelamentos na capital, a Avenida Rebouças foi a mais perigosa, com 32 casos.

Pedestres correm mais riscos em 25 vias. Jornal da Tarde , São Paulo, 11 de março de 2010